'A mamãe não', dizia Sophia sobre voltar para casa de Stephanie
Stephanie de Jesus da Silva e Christian Campocano Leitheim passaram pela 1° audiência de instrução na Capital


A Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos e, Christian Campocano Leitheim, de 25, passaram pela 1° audiência de instrução e julgamento na tarde desta segunda-feira, 17 de Abril, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande (MS). Eles foram presos suspeitos pelo assassinato da pequena, Sophia de Jesus Ocampo, de apenas 2 anos de idade.
Para essa audiência, foram chamados como testemunhas – o pai da Sophia, Jean Carlos Ocampo; o pai da Stephanie, Rogério da Silva; a mãe da suspeita, Delziene da Silva Jesus; e a ex-companheira de Christian, Andressa Victoria Canhete. A equipe do Diário Digital acompanhou a sessão.
Na data, o Jean Carlos foi o primeiro a relatar os fatos. "Fui casado 3 a 4 anos com a Stephanie e sempre eu que tinha que fazer tudo em casa. Eu que cuidava da pequena, tinha dois empregos e ela não fazia nada. No período que estávamos casados, a única coisa que ela fazia para a Sophia era amamentá-la. Após a separação, ela começou a namorar um rapaz. Logo, em, seguida, terminou e foi conviver com o assassino".

"Depois que ela começou a se relacionar com ele, minha filha começou aparecer com lesões. Sempre que perguntava para Stephanie, ela dizia que era uma queda do carrinho ou que o irmão mais velho, que é apenas filho de Christian, havia machucado durante as brincadeiras", explica Jean. Nesta época, ele relembra que foi no mesmo período em que o casal foi denunciado por maus-tratos pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (DECAT), pois, foi encontrado um gato morto dentro do sofá da residência deles".
Além disso, o pai de Sophia afirma que durante uma conversa com a Delziene, ela chegou a falar sobre a situação insalubridade em que a neta estava vivendo. Com tudo isso, Jean destaca que procurou o Conselho Tutelar e a Delegacia Esp. de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), mas que era sempre uma jogando para outro o caso.
Indagado sobre as agressões e por que não havia levado a criança para fazer o exame para constatar as lesões, Jean disse que tem a impressão que a Sophia era agredida no momento em que ele a levava de volta para casa. Pois, depois de 15 dias já havia sumido os 'roxinhos'. Além disso, fala que não tinha testemunhas para prossegir com o fato.
Sobre as entradas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o pai da pequena disse que não sabia. Pois, a suspeita não o avisava de quase nada. Ainda durante a audiência, Jean destaca que antes de completar 1 ano de idade, a Sophia começou a apresentar lesões.
Já sobre o estupro, Jean disse que em duas ocasiões presenciou a filha sentada em sua perna fazendo movimentos de relação sexual e que pediu para que parasse e explicou que não era para fazer mais isso. Por fim, ela relata que após a morte da filha, ficou sabendo que os vizinhos também denunciaram o casal pela forma de como tratavam as crianças na residência.
Na data, Stephanie acompanhou os depoimentos das testemunhas e Christian estava presenta, porém, acompanhou os relatos em outro local.
15 de Janeiro
No último dia 15 de janeiro, foi a última vez que Jean viu a pequena Sophia. Neste dia, ele retornou com a filha para casa da mãe. De acordo com ele, quando o mesmo dizia que iria levar a menina para casa de Stephanie, ela dizia que "a mamãe não". "A Stephanie era agressiva, foram dois boletins registrados de lesões e uma da fratura em que a minha filha estava com a perna quebrada", salienta o pai da criança.
"Estou na base de remédios antidepressivos para poder melhorar. Eu ia trabalhar para comprar coisas para Sophia e agora eu não tenho mais ela. Sophia era tudo pra mim", relata o pai chorando durante a audiência. No final, ele afirma acreditar que os dois suspeitos são os culpados pela morte de Sophia.
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